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Versinhos de Bem-Querer está entre as TOP 10 iniciativas de ajuda humanitária no âmbito do COVID-19

Atualizado: 10 de Dez de 2020

Projeto da AJENAI foi vencedor da edição especial 2020 do Prêmio Empreendedor Social do Ano em resposta à COVID-19, organizado pela Folha de S.Paulo em parceria com a Fundação Schwab.




Lançado em março de 2020 pela AJENAI, o projeto Versinhos de Bem-Querer foi premiado na categoria Ajuda Humanitária, junto a outros 9 projetos inovadores que também atuaram no âmbito do COVID-19 no Brasil. Além da escolha do projeto, Viviane Fortes e Elisângela Pedroso, ambas coordenadoras dos projetos da AJENAI, foram finalistas do prêmio "Empreendedor Social do Ano".


Para entender a dimensão do projeto, abaixo estão algumas das perguntas respondidas por Viviane Fortes e Elisângela Pedroso, coordenadoras dos projetos da AJENAI, durante o processo seletivo do prêmio.


Descreva como a sua organização respondeu a COVID-19, isto é, como ajuda diretamente a responder à crise sanitária, social e econômica causada pela pandemia?

Face às incertezas trazidas pela crise sanitária, a AJENAI viu a necessidade de uma ação emergencial para contribuir com as famílias rurais que perdessem renda. O projeto criou um fundo solidário para as famílias de 8 comunidades: São elas:

  • Tocoiós e São João de Baixo no município de Francisco Badaró

  • Alves, Poções, Moça Santa e São João dos Marques, em Chapada do Norte

  • Curtume e Ribeirão de Areia, em Jenipapo de Minas

Parte dos recursos foi ainda destinado ao financiamento de projetos de geração de renda:

  • Bordadeiras do Curtume, Tecelãs de Tocoiós e Mulheres da Ponte: geração de renda para grupos de mulheres rurais.

  • Plantio de algodão agroecológico: curso online com engenheiros agrônomos para formação de famílias das comunidades do Curtume e Tocoiós para o plantio de algodão orgânico.

  • Lançamento de uma loja virtual em maio de 2020 para venda das peças produzidas pelas artesãs e ação nas redes sociais para divulgação das mesmas (@mulheresdojequitinhonha)


Em que medida a sua solução ou abordagem para lidar com a COVID-19 foi inovadora para enfrentar esse cenário?

O projeto traz dois aspectos inovadores:

  • O primeiro é a abordagem bilateral, em que o conceito de “ajuda” corre em mão dupla: a iniciativa foi criada enquanto uma ação de mitigação dos efeitos da pandemia em comunidades em situação de vulnerabilidade. Mas foi também pensada enquanto uma contribuição do Vale do Jequitinhonha para o Brasil, espalhando bem-querer e poesia em tempos de isolamento social e insegurança. A iniciativa, que causou grande comoção junto ao público, buscou valorizar a cultura e o saber local do Vale do Jequitinhonha, fugindo do caráter meramente assistencialista e jogando luz nas potencialidades dos saberes das populações tradicionais.

  • O segundo aspecto é o modelo de negócios que se baseou na venda online e na distribuição via redes sociais (WhatsApp). De forma simples e criativa, e com custos muito reduzidos, implementamos um sistema de venda de serviços online que, assim como o COVID-19, teve a viralização como principal forma de propagação da ação.

Como sua iniciativa foi financiada? Quais os principais parceiros / patrocinadores?

A iniciativa foi integralmente financiada pela venda online de versinhos de bem-querer, não havendo patrocinador algum.


A iniciativa contou com a parceria da empreendedora Mariana Berutto, que possui larga experiência em gestão de redes sociais e e-commerce. Tendo atuado de forma voluntária para a Ajenai, Mariana foi responsável pela concepção do modelo de negócios do projeto, assim como assumiu o desenvolvimento do site do projeto e do e-commerce da Ajenai, além da gestão das redes sociais e da formação da equipe para gerenciamento das vendas.


Outra pessoa fundamental foi Adelson Murta, parceiro de longa data da AJENAI. Adelsin, como é conhecido, atuou no suporte às mulheres cantadoras de verso. Por se tratar de um modelo novo, em que os versos eram personalizados e compostos a partir de informações enviadas por email (diferentemente da tradição, em que a cantoria dos versos ocorre de forma espontânea durante os encontros das comunidades), algumas das cantadoras de verso se sentiram intimidadas ou tiveram dificuldade de se adaptar ao formato. Assim, Adelsin, grande conhecedor da cultura musical do Vale do Jequitinhonha, deu o suporte necessário para que os versos pudessem ser criados e cantados, com muita sensibilidade e em fiel respeito à tradição. Trabalhou junto às mulheres que precisaram, contribuindo com elas no processo de composição.


Contamos ainda com o apoio da assessoria de imprensa E-Comunica, cujo trabalho resultou em uma matéria na Folha Online.


Por fim, contamos com a parceria da ACHANTI e da AMAI, associações atuantes nos municípios de Chapada do Norte e Francisco Badaró, para a gestão dos recursos do fundo solidário junto às comunidades de Alves, Poções, Moça Santa, São João dos Marques e São João de Baixo.


O que foi a pandemia para vocês? Qual o grande aprendizado que a Covid-19 trouxe para vocês como empreendedores, como lideranças, e como pessoas?

A pandemia coincidiu com o momento mais crítico da história da AJENAI - em 2020, encerramos o convênio com nosso principal parceiro financiador - o Child's Fund Brasil.


Estávamos diante de de impasse: a necessidade urgente de atuar face a pandemia e a falta de recursos até mesmo para pagar as contas mais básicas da nossa Associação.

Esse momento foi um imenso desafio. Enquanto empreendedoras, à frente de uma associação de pequeno porte sediada em uma região remota do Brasil, nos vimos à beira do precipício. O encerramento das atividades da AJENAI nos parecia inevitável.


Hoje, temos a convicção que foi justamente a gravidade da situação, tanto no plano pessoal quanto em relação ao nosso papel de liderança junto às comunidades atendidas, que nos permitiu encontrar uma solução inovadora.


Até o COVID, vínhamos apostando nos formatos tradicionais de financiamento de ONGs - participação nos editais de financiamento públicos e privados, Lei Federal etc.


Vínhamos ainda dando nossos primeiros passos no empreendedorismo, com o projeto A Mais Linda Viagem, pelo qual levávamos duas vezes ao ano grupos de turistas para visitar o Vale do Jequitinhonha (projeto atingido em cheio pelo COVID).


A situação crítica nos levou a pensar fora da caixa encontrando assim uma maneira não apenas de ajudar as comunidades rurais durante a pandemia, mas ainda de viabilizar a continuidade dos projetos da AJENAI durante o ano de 2020. E o resultado surpreendente do projeto nos trouxe a confirmação da importância do nosso trabalho e do nosso potencial criativo e empreendedor. Nos apontou de forma clara que devemos seguir com nossa missão de promover transformação social a partir da valorização da cultura e dos saberes locais pois, além de fortalecer as comunidades rurais, o projeto nos permitiu fortalecer pessoas em todos o país, ajudando-as a se (re)conectar com a essência da cultura e da identidade brasileira.


Qual o impacto mais significativo gerado pela sua iniciativa? Qual o principal legado que a sua iniciativa deixa como contribuição pós-pandemia?

O impacto mais significativo de nossa iniciativa foi a visibilidade alcançada pelo projeto. Além de contribuir para o fortalecimento dos grupos, a partir da melhoria da auto-estima coletiva e da confiança nos potenciais individuais e coletivos, a visibilidade permitiu não apenas gerar recursos para os projetos de geração de renda como contribuiu para o aumento significativo da vendas dos bordados e das peças de tear.


Em função de nossa iniciativa, hoje estamos conseguindo vender as peças pela lojinha online no site da AJENAI, garantido remuneração justa às artesãs e a sustentabilidade financeira dos projetos Bordadeiras do Curtume e Tecelãs de Tocoiós. Mesmo sem financiamento, os projetos podem continuar acontecendo minimamente se mantivermos a estrutura atual.


O maior legado, contudo, foi o fortalecimentos dos grupos. As mulheres hoje são convidadas para falar sobre a cultura do Vale do Jequitinhonha como ocorreu no Circuito Cultural da UFMG e na roda de conversas sobre "Arte e Vida" do Festival CURA, Circuito de Arte Urbana, que ocorreu em setembro deste ano. Assim, elas deixaram o lugar de mulheres desfavorecidas para ocupar um novo lugar de fala, de protagonismo, a partir da potência que têm.


Mais sobre o prêmio:

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